Hóspede do barulho
Para resumir: passamos a madrugada de sexta transando na minha cama. No sábado, acordei morta de cansaço, mas apaixonada. Fiz café para ele e decidi que não ia deixar transparecer o sentimento. Ele acordou zonzo, como se não soubesse direito onde estava. Droga...
Tomamos café sem trocar muitas palavras. Eu fiquei tímida, de verdade. Ele parecia preocupado. Perguntou se tinha problema o carro na garagem. Disse que não. Falamos do tempo. Que merda. É muita falta de assunto falar do tempo. Mas, como estava chuvoso, ele desistiu de ir à praia, como planejava, e foi ficando.
Pedi licença para tomar banho. M foi atrás. Transamos no chuveiro. Eu encostada na parede, ele me comendo de baixo para cima. Acho que vi essa cena em algum filme. Nove Semanas e Meia, talvez. Foi gostoso, mas eu estava tensa, preocupada com a porra da paixonite. E quando eu estou tensa não me entrego totalmente.
Ele me levou do chuveiro para a cama e beijou minha buceta. Senti que ia flutuar. A língua dele é tão suave que nem parece que é de homem. O telefone tocou insistentemente. Ignorei. Nada podia ser mais importante do que o beijo dele na minha buceta. O interfone tocou e ele parou.
"Será que é algum problema com meu carro?"
"Não, é a vizinha de baixo", menti.
Porra, se preocupar com o carro numa hora dessas é o fim. Fiquei chateada, não consegui gozar. Ele veio para cima de mim e meteu até gozar. Estava sem camisinha. Gozou no meu rosto. Fiquei mais preocupada ainda. Detesto transar sem camisinha. Pensar em doença é o maior corta-tesão. E paixão é uma merda.
Depois disso, inventei uma desculpa e disse que teria que sair. Aí, ele falou que não ia desgrudar de mim nunca mais. Achei que ele estava mais interessado do que eu imaginava e me rendi. Nos certificamos de que o carro podia ficar onde estava e só deixamos o apartamento no domingo à noite. Ele, para ir para casa e eu, para comprar o jornal.
Perdi a conta de quantas vezes transamos. Não chegamos a fazer o kama sutra, mas experimentamos algumas coisas novas. Pelo menos, eram novas para mim. Depois conto os detalhes. Agora estou aqui em casa, pensando que não cheguei a me apaixonar, não. Transaria com outro cara hoje, sem problema. O intensivão de M foi bom para quebrar o encanto. Se ele não me ligar, não vai fazer muita diferença. Se virar uma transa esporádica, ótimo.
Estou de folga e só de calcinha. Abri as cortinas para entrar o sol, enquanto penso se vou para a academia ou não. Meu apartamento dá para um prédio comercial. Não vejo ninguém pelas janelas escuras. Mas tenho certeza de que alguém está me olhando de lá.
E isso me deixa com um tesão...
